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Camugerê Cultural

Na Identidade do Capoeira

 

Fico grato pelo convite !

Vamos sair para o "jogo" que o berimbau já fez chamada, e vadiação é coisa que eu não recuso... 

 

Falando sobre as subjacências da Capoeira Angola. 
Vicente Ferreira Pastinha escreveu um dia, ''Mandinga de escravo em ânsia de liberdade, seu princípio não tem método e seu fim é inconcebível ao mais sábio capoeirista."... 

Essa foto é do estudio foto "Diasporama" da Marich-arlotte Devise
Roda do mês 01/07/17, do lado da Igreja, place de Menilmontant, Paris 20. Iê.O fundo é uma fotografia de uma obra de arte de rua parisiense, realizada pela artista MyriaM Maxo. Obrigada a todos os participantes. 

Photos du studio "Diasporama" de Marich-arlotte Devise.
Photography installé pendant la roda du mois, à côté de l'église, place de Menilmontant, Paris 20.Le fond est la photo d'une oeuvre de street art parisienne conçue et réalisée par l'artiste Myriam Maxo. Merci à tous les participants. 

Guaracy Paulino da Conceição

 

 
 

Professora Mariâme Damba ( Onara Luna), passaram-se 7 dias e você não entregou seu Ebô !

 Já que tive o desprazer de ter sido citado em sua fala (31:23) , na leve, que aconteceu dia 10 de junho de 2021, cujo tema era, “Como Construir uma Sociedade mais Justa e mais Humana”. Me sinto no direito de corrigir sua fala, que infelizmente, foi desprovida de ética, displicente e injusta.Eu sinto-me no dever de compartilhar meu ponto de vista. 

Sou muito exigente sim, e generoso também. Lembre-se do dia que você me pediu para ser formada professora e eu te respondi que, para ser professora em minha escola, você teria que aprender a respeitar o tempo, tocar, cantar, entre outras coisas. Será que nesse momento você também se sentiu humilhada? Ainda assim eu confiei em você e lhe formei. Eu vi muita humilhação na capoeira sim, humilhação, racismo, vi meninas saírem chorando da aula várias vezes.

Sobre minha pedagogia, tenho a dizer que nunca fui humilhar pessoas. A própria capoeira "cobra " é a própria pedagogia. É a partir disso que ela se estabelece como filosofia de vida. Sua fala foi muito infeliz. Peço a você que se retrate publicamente tendo em vista o que foi dito a meu respeito. Eu nunca te humilhei, muito pelo contrário, fui muito exigente sim. E minha pedagogia é, e sempre será "preta". E tem fundamento, só não é para qualquer um. Existiu vários momentos que eu te protegi dessa mesma humilhação da qual você me acusou, e você nunca percebeu o quanto eu tive cuidado com suas limitações. Por você e por todos meus alunos eu tenho e sempre tive muito respeito. Por isso só formei professores e professoras até hoje. Penso que isso seja um serviço a nossa Capoeira Angola que está infestada de oportunistas e aproveitadores.

E minha postura é um sinal de respeito a minha própria ancestralidade...

Mariame Damba (Martinica) : Pedagoga, bailarina, terapeuta e professora da Escola de Capoeira Angola de Paris... dizem que a melhor arma que temos para nos defender de alguém que nos ofende, nos julga e nos fere é o silêncio. Ele é tão poderoso que responde ao nosso ofensor com delicadeza. Embora seja difícil para nós, termos que usá-lo. O silêncio nos torna diferentes e neles se opera a justiça de Deus.

Belíssimo não é? 

O problema é que eu não sou silencioso, principalmente quando mentem a meu respeito, muito menos delicado, e também não sou católico. 

Se é que você pode me entender.

Mais farei um esforço!

Que fique bem claro, que você tem todo direito de se expressar, e isso é sagrado. Com isso vem também a responsabilidade e a ética, coisa que você não teve. Sendo assim, eu também tenho o direito de me defender de sua acusação . Que mesmo sendo um lapso de memória ou linguagem, para mim é gravíssimo. Pelo que você me falou em suas sms(s),você pensou em outro mestre e citou meu nome por engano. No mínimo muito curioso.

Tenho que esclarecer, que você foi incapaz de resolver o "pequeno" deslize ali na hora, bastava voltar em sua fala e ratificar, ainda assim seria grave, mas não estaríamos aqui.  Você foi incapaz também de me ligar na hora, levando 7 dias para postar seu texto, e postou  em uma postagem que eu já tinha feito. Foi incapaz de postar sua mensagem em seu próprio muro, e só postou por que recebeu orientação de uma amiga. Orientação essa que foi dada por mim. Provavelmente, eu imagino que se eu não tivesse  te pedido para fazer uma retratação publica, você estaria ate agora pensando  que nada de grave aconteceu. 

Você saiu do nosso grupo WhatsApp por que recebeu críticas e não suportou a pressão, o peso da responsabilidade, ter que olhar na cara das pessoas que dividiram aulas com você e que ficaram revoltadas com sua fala a meu respeito. 

     Talvez você tenha realmente algo a me dizer! 

Volto a afirmar, nunca te humilhei, nunca, muito pelo contrário. E olha que eu tive escola especializada na matéria...

Seria de bom-tom e marca de respeito a sua própria pessoa, que o vídeo, seja simplesmente suprimido das redes ou corrigido. Entendo também, que são várias pessoas envolvidas nesse processo, e que sacrificar todo um trabalho por causa de uma fala, que afinal representa a mais pura verdade para muitos mestres de capoeira, seria lamentável. 

Em uma de suas viagens ao Brasil, tivemos uma conversa profunda sobre humilhação nas escolas de capoeira angola em que você estava freqüentando. Na ocasião você acusava um mestre de capoeira angola, dizendo que ele humilhou muito você, e que parecia que na capoeira angola isso era uma prática habitual ainda hoje. Eu de pronto pedi que você escrevesse sobre isso, que eu iria publicar, sem citar nomes. Minha proposta caiu no esquecimento. E exatamente em uma leve, frente a vários mestre, sabendo que ficará gravado eternamente, você com toda sua bagagem pedagógica me expõe com  sorriso no rosto, afirmando que eu te humilhava. 

Seu despreparo é vergonhoso! 

Veja bem, não se apoquente não. Eu venho de longe, já estou acostumado com as demandas da vida. Penso que perdoar não é esquecer, isso chama-se amnesia. Perdoar para mim é se lembrar sem se ferir, e sem sofrer,  é cura. Por isso é uma decisão, não um sentimento. 

Dizemos na capoeira que na boca de quem não presta, quem é bom não tem valor. Quem sabe cala, quem não sabe é quem mais fala... 

E se for para criticar, não perca seu tempo. Por que é bom ser invejado ou até mesmo odiado. Afinal, ninguém inveja o feio e nem odeia o fraco.

 
 
Lideranças do Cordão de Ouro teriam cometido abusos contra crianças e adolescentes desde a década de 1970, segundo relatos e informações de promotora de justiça do Ceará.
1 de junho de 2021
14:59
Alice Maciel, Andrea DiP, Mariama Correia
 
Depoimentos apontam que professores se aproveitavam da confiança dos alunos para praticar abusos 
Crianças e adolescentes seriam forçadas a fazer sexo com mestres em troca de viagens 
Ministério Público do Ceará abriu investigação contra lideranças do grupo Cordão de Ouro por denúncias de abuso e estupro de vulnerável 
Mestres de um dos maiores grupos de capoeira do país, o Cordão de Ouro, são denunciados por ao menos 15 pessoas de abusar sexualmente de crianças e adolescentes entre 11 e 18 anos. A Agência Pública teve acesso exclusivo a procedimentos criminais e conversou com homens e mulheres que teriam presenciado ou sofrido abusos em Fortaleza (CE), São Paulo (SP) e Taubaté (SP). 
 
O grupo Cordão de Ouro tem academias de capoeira credenciadas em mais de 30 países. 
 
Relatos e documentos colhidos pela reportagem revelam que mestres teriam se aproveitado da vulnerabilidade, admiração e confiança de seus alunos, que os viam como ídolos ou até como figuras paternas, para praticar violências sexuais. Mensagens e áudios aos quais tivemos acesso indicam que alguns casos teriam sido acobertados por membros da direção do grupo. A Pública teve acesso também a um vídeo no qual aparece um dos mestres se masturbando em um ônibus. 
 
Desde o ano passado, o Ministério Público do Estado do Ceará (MPCE) investiga lideranças do Cordão de Ouro por denúncias de abusos e estupro de vulnerável – como a lei brasileira tipifica a relação sexual com menores de 14 anos. De acordo com a promotora de justiça do MPCE Joseana França, cinco vítimas fizeram acusações “contra vários mestres”. Os nomes de todos os envolvidos não foram divulgados pelo órgão para não comprometer as investigações, mas o fundador do grupo, Reinaldo Ramos Suassuna, mais conhecido como mestre Suassuna, estaria entre os acusados, segundo vítimas que relataram à Pública ter prestado depoimento. 
 
 
 
 

 

Essa foi a última vídeo aula de nossa escola  Découvrez notre chaîne Youtube les Archives Do seu Guaracy 

   Dessa vez foi com professor Amarelo do coletivo Terrerú/BH. Agradecemos a nossa ancestralidade, na presença sonora e virtual dos mestres Lua Rasta e Ivan de Santa Amaro. Gratidão a todos os alunos e convidados, que por amor a capoeira participam de uma aula como essa, provando mais uma vez que os desafios são muitos, maior ainda é nossa vontade em manter essa arte viva e valorizando quem realmente tem valor. Parabéns Amarelo, saúde paz e muito axé para vida.

Mestre Guará

 

Ele está sempre na luta para não deixar faltar nada para os mais antigos. Tô ligado nele já faz tempo ! Chegou a hora de dar uma força para nosso camarada Amarelo. Dia 16 tem aula no Zoom . Você estará ajudando um capoeira super talentosa là de BH que está nadando contra a correnteza a muito tempo. 

Temos que parar de valorizar pessoas que só se apropriam de nossa arte . Já passou da hora de termos uma nova consciência. Vamos dar valor a quem realmente tem valor .

Axé Mestre Guará.

 

Carioca de 1º/10/1952, faço poesias desde os 15 anos e contos & crônicas a partir de l988, tendo publicado mais de 50 textos nos jornais de Belém e Ananindeua, cidade vizinha. Membro da UBT-Belém (União Bras. de Trovadores) e da ALA-A (Assoc. de Letras e Artes de Ananindeua) fui vencedor em 9 concursos nacionais de poesia/contos, tenho 51 Menções Honrosas em eventos literários de vinte cidades em 11 Estados e 295 textos em jornais culturais e revistas de 52 cidades em 9 Estados. Estou em 14 coletâneas literárias de 4 Estados, principalmente em obras da IGAÇABA Prod. Culturais, da cidade de Roque Gonzales/RS. Sou compositor de MPB, sambas e rocks sem maiores méritos, fazendo também versões de hits de grandes bandas roqueiras. Lancei artesanalmente (Edição do Autor, em xerox) PALAVRAS AO VENTO, livreto de poemas & canções com mais de 80 cópias, em 4/1986; coordenei a coletânea com 16 poetas de Vigia/PA, "Livrencontro", em fev./1987, com mais de 200 cópias e editei "QUASE NADA...""miscelânea" com 60 exemplares, em 9/1988.

A partir de dez.1999 produzi o folheto "Jardim de Trovas" nº 0 e 1 (este em nov./2000) e o nº 2, hoje com mais de 500 cópias já enviadas para todo o país, desde junho/2002. Entre 1990/92 organizei shows anuais em teatros de Belém com artistas de Ananindeua, além de fundar (em 1988, com meu irmão gêmeo Renato) e presidir o CCCP - Centro Cultural de Capoeira do Pará, controverso marco extinto em 6/1992, no qual expedi mais de 300 ofícios diversos defendendo uma visão artítisca dessa luta. Aguardo a futura (?!) publicação de "QUASE NADA...", estreando como contista e registro as minhas memórias em "AQUELAS TARDES TRISTES...", com cenas da infância no Sul (PR/SC) e "momentos" amazônicos.
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"LIVES" - A MODA DA VEZ ! 
"Na Era da Comunicação instantânea tudo é irrelevante", escreveu alguém, não recordo o nome. Vou além... uma LIVE se justifica se propõe ALGO NOVO, porém se vai repetir o que outros tantos já disseram, a razão de existir é quase nenhuma ! O motivo principal para as LIVES foi o de dar espaço e VOZ a cantores e músicos, sem palco nem shows devido à "gripezinha chinesa". Pessoas do teatro, escritores, fotógrafos, pintores, até as Escolas "embarcaram" na boa idéia. Essas apresentações artísticas são "LIVES" durante o exato tempo em que permanecem "no ar", digo, NA TELA... após isso se tornam VÍDEOS COMUNS, iguaizinhos aos demais, gravados anos antes, meio século até. Ora, porque não se fazer tal entrevista sem tanta urgência, numa residência com 3 ou 4 pessoas, SEM PRESSA e depois editá-la de modo profissional ? 
 
Assisti "meia LIVE" -- uns 20 minutos dela se tanto -- por sugestão de amigo Mestre "dans la France" -- esta do angoleiro e escritor Augusto Leal, aqui de Belém. Como não sei em que nível êle se insere como "capoeira", presumo que o convite para a tal LIVE tenha sido em razão de seus escritos... mas falou sem lhe questionarem coisa alguma, a "porta do Paraíso"!. Mestre "Laíca", presidente da FEPAC, em Belém, declara que é preciso "jogo de cintura" para sair-se bem de perguntas incômodas. Então, estou "lascado"... não tenho a menor paciência para provocações, em LIVES ou fora delas ! Por falar nisso, há bate-boca em LIVES ? (Menos de sertanejos, é claro !) 
Vi e não gostei da tal LIVE do rapaz da UFPA... os apresentadores, muito simpáticos, gastaram 10 minutos em elogios mútuos e abraços para amigos, isso tudo GRAVADO para a posteridade. Onde é que nós estamos ?! Iniciem sua transmissão 15 minutos antes da hora oficial,"troquem figurinhas", cumprimentem mestres importantes e NA HORA MARCADA será iniciado o debate real. Ficamos "segurando vela" no que seria uma abordagem expressiva e virou "lançamento de confete" ! 
 
Como NADA me agrada, me incomoda nessas LIVES ver os entrevistados "olhando para baixo" o tempo inteiro, mais parecem réus condenados. Façam-me uma gentileza: ponham seus notebooks na altura do pescoço, assim a microcâmera ficará paralela aos olhos do palestrante e nós, espectadores, sem a sensação de que o depoente "está mentindo". Outra CHATICE: tela dividida ! Nos games, existe a escolha pela "tela cheia", talvez haja essa opção na LIVE. Nada é tão irritante como o sujeito "do lado" ficar mexendo em livros ou comendo biscoito enquanto o outro expõe seu pensamento.
Nos tempos de rádio-amador havia a expressão CÂMBIO, que informava ao interlocutor que o anterior findara sua opinião... por conseguinte não se falava ao mesmo tempo e nem havia aquele silêncio constrangedor ! Enfim, para não ficar "o NÃO-DITO pelo dito" (o povo inverte a expressão) declaro novamente que irei fazer a tal LIVE... só não sei dizer quando !
 
Meu amigo "parisiense" estipulou o tempo dessa futura LIVE em 90 minutos... duvido que eu tenha assunto para sustentar metade desse tempo. E vou falar de procedimentos antigos de uma região restrita (Belém / Ananindeua), isso porque deixei de acompanhar a Capoeira após 1993/94, quando meu irmão foi quase morto a pauladas -- num Centro dito Comunitário daqui do bairro -- tentando corrigir o comportamento de um mestre local, "rei da Angola". (?!) Ora, que interesse pode haver em tempos tão antigos ?! Ou, ainda, em época mais remota, os anos 70 no Rio, na Capoeira do Grupo Senzala, que foi só o que conheci ? (Visitei um Batizado de mestre "Pai de Santo" na Zona Norte mas de nada lembro, nem do bairro.)
TUDO o que vou falar já ESTÁ ESCRITO em meus textos postados no RECANTO DAS LETRAS, porém como o "capoeira" não gosta de ler, vamos à LIVE ! Questionei amigos sobre a utilidade das LIVES, a funcionalidade dela e já recebi resposta de alguns, que reproduzo neste artigo:
mestre "LAÍCA" (Luiz Nunes) - "Acha o encontro virtual mais prático do que o presencial, é muito útil e a experiência das 3 ou 4 LIVES que fez foi satisfatória"! Deixou de comentar que 1) poucos "capoeiras" têm PC, e 2) sem experiência prévia de como acessar a LIVE, o resultado fica prejudicado. 
mestre FERNANDO RABELO - "Não leva muito a sério, acha a LIVE "meio conversa fiada" (traduzindo, "fofoca") mas certamente com as pessoas certas êle faria uma, embora não se veja tão conhecedor da Capoeira a ponto de "discursar" !
 
Supuz que o contramestre SAN, do Grupo MUZENZA / Belém, jovem mestre (vai por minha conta) afeito às Redes Sociais, devia usar com frequência tal prática, mas me enganei. A meu ver, LIVE é uma "conversa de celular", embora mais restrita em termos de movimento físico, deslocamento. Seguem abaixo outros depoimentos, me enviados via Messenger:
c/m "SAN" - (terça, 4/maio, 19,02hs) "Já participei, no caso como entrevistado, já assisti várias e aprendi na maioria delas, algumas não foram proveitosas".
profa "ANGEL" (Cyntia Lobato) - LIVE É UMA FERRAMENTA excelente nos dias q vivemos. É cansativo para quem participa qdo  não há um bom intermediador, é como uma Roda, se não tiver comando... já viu ! (fui) Apenas expectadora. Assisti as abertas e as com investimento ! (Ela comenta que, no Grupo onde está, o mestre sempre faz LIVES, tanto para conversas quanto para aulas.) 
mestre DILSON BRITO - "Assisto às da Faculdade, são muito úteis, proveitosas... levanta-se a mão (?!) e faz-se a pergunta. Também vi LIVES dos mestres Tucano Preto, Sabiá e outros mais. Aprende-se muito"", afirma êle. 
mestre "GUARÁ" (ECAP / Guaracy P. Conceição) -  "Live nesse momento de crise, nos traz a possibilidade de entrar na roda de capoeira de maneira virtual. Cada um com sua experiência, sua arte e suas verdades . Lembrando sempre que na roda de capoeira, como na roda da vida . Cair e levantar faz parte do jogo. Nossa mestra Beth Carvalho nós trás essa reflexão em sua música Volta por Cima “ Levanta sacode a poeira e dá a volta por cima". (via Messenger)
O escritor e crítico literário TOM FARIAS (RJ) me traz o depoimento mais longo, minuto e meio, embora conciso: "As LIVES estão muito pulverizadas (?!), mas atingem um grande público de várias classes sociais, sobre os mais diversos temas e ENSINAM realmente as pessoas. É uma ferramenta que veio para ficar, MUITO ÚTIL mesmo"! (grifos meus)
Portanto, as opiniões SÃO A FAVOR dessa modalidade... só me resta realizar a minha, esperando que "minha vidraça" seja à prova de "pedras" !
 
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  "CADÊ... IDALINA" ?! 
"Ao ver IDALINA, foi como se 
tivesse achado uma flor em 
meio a um charco." (pag. 129)
JORGE AMADO - in "O ABC 
de Castro Alves", ed. Record.
 
Estava eu a procurar a obra de De Campos Ribeiro, (a fim de reproduzí-la na Internet) um colorido retrato da "Gostosa Belém de Outrora", aliás título do livro, quando me deparei com este de Jorge Amado, que supuz ser apenas sobre a poesia do combativo vate da LIBERDADE, o nome maior da luta por ela. Com o Destino atuando a meu favor, claro que eu iria abrí-lo justamente numa página falando de uma... IDALINA ! Um poeta BAIANO amara uma certa Idalina, afirmava a biografia (escrita em 1941), e um escritor baianíssimo -- melhor, pra mim, que o carioca Machado de Assis -- "ressuscitava" a tal Idalina, essa DE RECIFE, de um bairro de nome Santo Amaro... definitivamente, não há coincidências na Vida ! 
IDALINA, sonoro nome, é conhecida pelos "capoeiras", os mais antigos pelo menos, está nos versos dos cantos -- os "corridos" e "chulas" da Capoeira -- e num dos LPs mais expressivos dela, o de Camafeu de Oxóssi, pouco visto e menos ouvido, meio lado de "reportagens" da vida do povo, com seus rebocadores, lanchas verdes, o "HUMAITÁ" -- seria um navio, de marujos "capoeiras"? -- "falando" de fazendas, Catarinas, Idalinas. Insisto em afirmar que, junto ao Cordel e repentes, o canto na Capoeira era/foi o "jornal do sertão", personagens e fatos citados nele existiram, aconteceram. Podem nem ter sido presenciados pelo autor da "chula", mas êle a ouviu em algum lugar. Por isso, prestem atenção ao que cantam, vocês estão REPASSANDO História ! 
Quais as chances dessa IDALINA ser a Idalina que motivou a criação de um toque de berimbau, dizem que por mestre "Bimba" ?! De ser ela a musa citada por Camafeu de Oxóssi ?!
-- "Metade, talvez menos" !, diria a maioria. Confio no Destino, meu sétimo sentido "grita" que é ela, só que a jovem "de má fama" e que nenhuma biografia "séria" sobre Castro Alves sequer citou tinha 18 anos em 1864 -- quando o condor da Liberdade a conheceu -- e estaria com uns 70 anos quando o menino Manoel a teria visto, se é que a conheceu ! Jorge Amado não informa se o primeiro amor de tantos (e tantas !) que Castro Alves teve em sua breve vida seguiu com êle, de Recife a Salvador, talvez sim, mas êle a eternizou em alguns de seus poemas. Porque Castro Alves estava em Recife não se sabe; mas segundo Jorge Amado, escreveu no colo da Negra amada os primeiros grandes poemas que o consagrariam, recitados sob uma chuva de aplausos, no Teatro São João, de Salvador.
"Asilo de amor e poesia", escreve J. Amado, "a casa da Rua Lima" e cita Pedro Calmon em seguida... "IDALINA lhe é de resto providencial". (pag. 130) Mas Idalina sabia que o amor maior de Antônio C. Alves era a POESIA e "num Recife sem escândalos, Castro Alves era o escândalo, vivendo publicamente com uma mulher sem nome e sem honra". (pag. 134) A jovem negra deixou partir para Salvador seu único amor e voltou à desgraça em que vivera ! 
Ainda que mestre "Bimba" não a tivesse conhecido, sua homenagem à pessoa com tal nome nos remete ao amor maior de Castro Alves, disso não tenho dúvida ! As "chulas" contam histórias, algumas belas, trágicas outras ! "Idalina está me chamando... / Idalina tem o costume / de chamar e sair andando" ! 
    "NATO" AZEVEDO (em 14/maio 2021, 6hs)
OBS: CASTRO ALVES ligado à Capoeira... será possível ? Seu tio João José Alves, além de alferes, era o desordeiro mais famoso da capital, unido a "capoeiras" e à ralé, fizera deles um "batalhão de vagabundos" que acolhiam seu chamado. (pag. 56) 
EM TEMPO: este livro SOBRE A POESIA de Castro Alves foi proibido (e recolhido das bancas) pela DITADURA de Getúlio Vargas -- o "Bolsonaro" da época -- pois seu autor era... COMUNISTA ! (em 4-5/maio 2021)
OBS: faltou REVISAR, confira o texto certo no RECANTO DAS LETRAS.
 
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Uniāo internacional da capoeira em "evolução" preservando sua essência. Venham cohnecer, para entender o processo de formação da UNICEPE É um movimento de união das duas
vertentes, com base no respeito e na tolerância . 
 
 
Processo de formação vertente angola :
 
 
 
 
Eu sou porque nós somos !
 
Filhos de Angola 
Berlin 
 
Escola de Capoeira Angola de Paris 
 
Capoeira Camayê 
Paris
 
Escola Mutumbo de Capoeira Angola
São Paulo 

 

Terreiro Original de Capoeira Angola 
São Paulo
 
 
 
 
 
 
 

BEM-VINDO A CAPOEIRAHISTORY.COM,UM WEBSITE DEDICADO À HISTÓRIA DA CAPOEIRA.

O nosso objetivo é provê-lo de informação séria, apoiada em fontes seguras e pesquisa. O crescimento fenomenal da capoeira pelo mundo afora criou a necessidade de mais informação fidedigna sobre sua história e suas tradições. A internet nos favorece com recursos fantásticos. Ao mesmo tempo, induz a produção e facilita a circulação de fake news. Se, de um lado, as tradições da capoeira fazem parte do domínio público e particularmente capoeiristas deveriam ter acesso a elas, pelo outro, não aceitamos que o trabalho de artistas vivos seja reproduzido sem seu consentimento, dificultando que vivam de sua arte. Por essa razão, cremos que a transparência é importante. Almejamos providenciar referências às fontes que usamos, com autorizações onde for necessário. Estamos pesquisando em bibliotecas e arquivos e criando recursos novos, ao entrevistar mestres com experiência e conhecimentos significativos sobre a história da capoeira. Queremos também dispor de um espaço para trabalhos criativos relacionados à capoeira.

Acreditamos que o conhecimento da rica história da capoeira pode contribuir para a discussão sobre o seu papel no mundo contemporâneo. Esperamos estar em colaboração com outros pesquisadores, mestres, grupos e websites que compartilhem esses princípios. O foco principal do site será sobre a história da capoeira no Rio de Janeiro, 1948-82. Esse período foi essencial para a formação da capoeira como ela é jogada ao redor do mundo hoje, no entanto, sem receber até agora a atenção que merece.

 

O PROJETO

A capoeira é documentada no Rio de Janeiro desde o início do século XIX. Desenvolvida por africanos e crioulos escravizados, a capoeira teve sua prática estigmatizada pelas autoridades ainda no Brasil colonial. A formação de maltas e seu envolvimento com os partidos políticos do Império também provocaram uma onda de repressão no início da Primeira República, resultando na quase extinção da capoeira no Rio de Janeiro. A arte sobreviveu melhor em outros estados, em particular no Nordeste. A partir da década de 1930, os estilos Regional e Angola, desenvolvidos na Bahia, foram responsáveis pela modernização da capoeira, chegando ao Sudeste trazidos por migrantes baianos, a partir da década de 1950. E foi aqui, no Sudeste, que se desenvolveu então o estilo com mais adeptos atualmente, no Brasil e no mundo, a chamada Capoeira Contemporânea. Essa denominação de uso corrente tem seus problemas, devido à variedade de estilos que poderiam ser considerados como capoeira “contemporânea”, desde a “Angola contemporânea” até a capoeira praticada pelos adeptos do MMA, passando pelo estilos consagrados dos grandes grupos que se originaram no Rio de Janeiro.

Este projeto procura entender melhor a emergência da “Capoeira Contemporânea” no Rio de Janeiro pesquisando e reunindo material de várias fontes: história oral, arquivos e documentos doados. Valorizando a oralidade característica da arte, equipe do projeto está realizando entrevistas com mestres de capoeira da primeira e segunda gerações, que foram responsáveis pelo desenvolvimento e expansão da capoeira durante os anos 1950-70 no Rio de Janeiro, seja no Centro e na Zona Sul, ou nos subúrbios e nas áreas mais periféricas. O projeto está coletando material em arquivos para complementar esses depoimentos e ainda conta com a ajuda dos mestres, que estão disponibilizando fotos e documentos de seus acervos pessoais. Com a ajuda de alguns mestres de renome que aceitaram ser consultores do projeto , vamos tentar mobilizar a comunidade de capoeiristas para que colaborem na doação ou empréstimo de materiais, como entrevistas antigas e fotografias.

Todo o material será arquivado em formato digital no Laboratório de História Oral e Imagem (LABHOI) da Universidade Federal Fluminense (Niterói, RJ) e na Universidade de Essex, Inglaterra. Dada a idade avançada dos pioneiros da primeira geração que ainda vivem e a falta de um centro de referência sobre capoeira na atualidade, a proposta é constituir uma base de dados sobre a história da Capoeira Contemporânea no Rio de Janeiro que permita resgatar essa memória e devolvê-la aos praticantes e outros grupos interessados. O objetivo é assim contribuir para a revalorização da capoeira e ressaltar sua contribuição para a cultura da cidade e o desenvolvimento dos estilos responsáveis pela sua globalização.

Os resultados da pesquisa e as contribuições dos consultores serão disponibilizados no website do projeto. Caso queira contribuir com fotos e arquivos audiovisuais dos anos 1948-82, por favor, entre em contato escrevendo para o e-mail capoeirahistory arroba gmail.com.

 

 


Normalmente eu passaria longe de questões que dizem respeito à Capoeira mas, tendo um irmão em casa -- que ainda se envolve com ela -- me vejo obrigado a partilhar vez ou outra imagens e sons. Vai daí que, numa curva do Destino, 'Messiê Polinô" nos enviou da gélida Paris vários CDs de seu belo grupo de Capoeira Angola, ou "Angolá" em bom francês.
O mestre ex-"Guará", hoje "Guaraminfô", explana em seu (suponho) primeiro trabalho um pouco de sua extensa carreira de mais de 20 ANOS em terras napoleônicas e abre o CD com uma faixa de agradecimento a todos os que o ajudaram a trilhar o duro caminho de ensino (e de prática) dessa tri-secular dança-luta.

Discursos ao som de berimbaus são raros em discos/CDs de Capoeira, o mais famoso -- ou mais conhecido, pelo menos -- está num antigo LP dos mestres Natanael e Limão. Geralmente as falas individualizam de tal forma a gravação que o disco inteiro fica como marco de um período ou época e vai perdendo a importância (ou valor) ao longo do Tempo, senhor e algoz da Vida de cada ser vivente.
Mestre "Guará" dá uma rasteira nesse perigo, ao expor seu coração e dirigir a mensagem a cada aluno, os presentes naquele momento mágico e os futuros.

E vamos ao disquinho, CD no jargão moderno. Capa impecável, quase desenhada, papelão envernizado no lugar do plástico frio, o símbolo circular em amarelo vivo no centro de 4 minifotos, diagramação excelente. Em 1994 escrevi --como parte de extenso estudo sobre as origens e os destinos da Capoeira da época -- que símbolos redondos eram um dos vários"problemas" da Capoeira, com excesso de texto dentro deles e imagens pouco visíveis. Infelizmente, continuam raros o Grupos (e Associações) que conseguiram fugir da "mesmice" do circulo, talvez a simbolizar a Roda, "único lugar onde a Capoeira existe realmente", na definição singular de Nestor Capoeira. 

"VADIANDO A MELODIA" é uma expressão curiosa e criativa, belo titulo a enfeitar um CD que surpreende até mesmo quem já ouviu 30 ou 50 deles. É comum os Grupos atuais produzirem meia dúzia de CDs, mais como afirmação de poder (?!) do que pretensão de exibir obras consistentes e de valor poético.
Esse CD de estréia do grupo ECAP -Escola de Capoeira Angola de Paris, hoje espraiando-se por outras cidades, foi muito feliz tanto na escolha do repertório -- nem sei se a expressão cabe no mundo do Folclore -- antigo e tradicional, como na forma em que se registrou o evento. 'Vadiando" com prazer e competência por "chulas" e "corridos" de domínio público, já "abandonados" por boa parte dos Grupos modernos, o CD se insere no minúsculo filão das obras que vieram para ficar. 

No registro digital há um côro afinado e atento, um berimbau "gunga" de encher os olhos (e os ouvidos), pandeiro e atabaque que não "atropelam" o ritmo e, como novidade, "segunda voz" em quase todas as respostas... para minha surpresa canto "em terça" numa das faixas e até contracanto, quando a "segunda voz" repete em seguida o canto principal. Enfim, um raro show de musicalidade ímpar !

É de se supor que o técnico de som usou microfones cruzados (cardióides omnidirecionais) acima do Grupo cantante. Isso favorece um registro total, amplo, mas em alguns momentos prejudica a performance do cantor principal que, se movimentando, torna pouco audíveis alguns trechos das faixas. Fora isso, apresentação impecável de todos num CD para ser ouvido mais do que guardado, isolando-se -- com os LPs de mestre Suassuna, o do Grupo ZAMBO do desconhecido Onias "Comenda", os discos dos mestres Natanael e Limão e o do inesquecível Camafeu de Oxóssi -- no estreito universo dos registros que fizeram história no mundo da Capoeiragem. Parabéns,mestre "Guará"! YÊ, camará!
'NATO" AZEVEDO


"Não queremos a exposição... Capoeira
é folclore BAIANO"! (diretora de EP no
bairro, em 1990, recusando 32 painéis
de fotos. Fizemos na rua, em frente.)

"Adeus, Corina, dam-dam... / vou-me embora,
quem me leva?! / (...) Levo penas e saudades, 
/ coração para te amar"! -- mestre CAMAFEU
DE OXÓSSI, 1968, num LP inesquecível.

Se eu não vou mais até a Capoeira -- por vontade própria ou mero capricho -- coube ao Destino trazê-la à minha porta. Eis que me chega às mãos em um microcartão de memória mas de 70 "takes" atuais da Capoeira Angola praticada em Paris e outras cidades da Europa. O "jogo de angola", à primeira vista, nos parece uma prática bastante repetitiva... só com o tempo se percebe as "nuances" ocorridas na "dança" e o grau de criatividade instantânea de cada praticante. Ver e saber que a Capoeira tradicional vem tendo um espaço seleto e cativo nas terras do "Rei-Sol" é altamente encorajador. O "jogo de angola" é o que mais "aproxima" África e Brasil, pela manutenção das raízes milenares, já que a ex-Luta Baiana -- desde sua criação -- "encampou" tantas práticas externas que quase perdeu a essência africana dos que a referendaram como prática.
Aliás, Rugendas (ou Debret?) num quadro magistral de 1800 e pouco eternizou a principal "diferença" entre elas: a luta contra a dança! Assistir dezenas de jovens alunos absolutamente tranquilos durante a prática, sem ansiedade visível, sem a beligerância típica dos ambientes nacionais -- sem "Rambos" nem Tarzans de músculos à mostra e prepotência no olhar -- me dá uma satisfação incrível. A Capoeira mudou, digo melhor, voltou aos seus primórdios, ais dias de Roda na frente das Igrejas centenárias, no cais de portos e nas areias das praias vazias, sábados de tardezinha, pouca gente e muito "ashé".

Se mestre "Guará" me permite um "aparte", eu diria que seus jovens alunos deveriam conhecer "o outro lado do muro". Estar (bem) preparado como angoleiro pode não ser suficiente para um futuro embate com algum "Regional" sedento de sangue. Por outro lado, sendo felizes no estilo Angola não têm porque se interessar pela prática "oposta". 

Mestre "Guará" abre os registros de sua atuação na França com uma dedicatória (de 17 minutos) que muito nos envaidece. Nos mostra a mais recente obra de André Lacè, a meu ver um dos pesquisadores mais completos do país, apesar de uma ou outra incorreção, segundo soube, o que não invalida de forma alguma o seu excelente trabalho. Espero que mestre "Guaraminfô" tenha coragem ou disposição para ler inteiro um calhamaço de mais de 400 páginas. Falta somente mestre CÉSAR - da USP, se vivo fôr -- se manifestar, tem um acervo de músicas SEM IGUAL no país inteiro, além de textos e livros diversos, tudo "fechado a 7 chaves". A Capoeira precisa desse altruísmo, que nem todos têm... eu pelo menos não tenho "vocação" para ser S. Francisco de Assis.

A maior surpresa foi saber que, em breve, o Grupo ECAP fará novo disco, CD no caso e, se tudo correr bem, teremos meu irmão e eu algo nosso gravado. Continuo sem entender quando foi que fiz por merecer tanta consideração... me sinto "intimado" a voltar às origens, principalmente porque saí da Capoeira mas ela não saiu de mim, ainda mais quando o assunto é MÚSICA. "Capoeira pra mim é oração, / daquelas que não se reza todo dia"... "avise aos amigos que estou voltando, / descalço, cansado, mas sigo caminhando". Ê, ê, tum-tum-tum... olha a "pisada" de "Lampiãio"! 
"NATO" AZEVEDO -- 5/abril 2015

NOTA DO AUTOR: (8/abril) -- Anteontem me cumprimentou um certo Ronilson, MESTRE Ronilson, frisou êle. (Pegou o "bonde" errado, conhecia meu irmão gêmeo, não a mim.) Não sei porque se faz tanta questão do título por aqui, pessoas que sequer têm Grupo, não dão aulas em lugar algum, por vezes nem mais praticam a Capoeira... mas se apresentam como mestres em todo canto onde vão.
Apesar das Federações e de uma Confederação lamentável, a Capoeira AINDA É folclore, continua sendo FOLCLORE e, como todo folclore, títulos não "nascem" de diplomas ou certificados, se consolidam a cada dia pelo trabalho de professor, por sua dedicação e construção do seu Grupo, pelo seu conhecimento real, pelos alunos que faz, poucos mas bons. Conheci os 2 nomes maiores dela aqui em Belém, convivi com ambos entre 1988 e 90...as definições acima não se encaixam na figura de nenhum. Como então ficaram tão famosos? Nem Deus sabe!

Ver a Capoeira ser tratada com tanta CONSIDERAÇÃO e carinho na França e em outros países só me envergonha. Conheço jovens ensinando em EPs do Pará desde os anos 80... nenhuma regalia, nenhuma pintura nas paredes descascadas do local de treino, nenhum RECONHECIMENTO pelo esforço e persistência dos então professores, hoje merecidamente MESTRES. Enquanto isso, um folgazão qualquer recebe 10 MIL reais dos "IFAMs da vida" pela fama que tem !
Pela Internet o poeta Rufino Almeida diz não entender como se pode ser anti-Brasil ! Basta se ver como são tratados os esportistas em qualquer área, para se compreender. A CAIXA trilhionária (próximo patamar nos escândalos nacionais) diz investir fortunas nos esportes... para onde vai realmente essa dinheirama toda ? Para o esportista é que não é!
("NATO" AZEVEDO)

 

ONTEM FOI UMA ENTREVISTA SURREAL !

Tive o prazer de conhecer mesmo virtualmente o grande Mestre Moraes (Omogunkeji TR) pude ouvi-lo durante 50 minutos de manhã no teste do programa e depois por 3:30 min no Programa a noite.

Confeço ter tido um pouco de receito de não ser bem recebido, mas como o mestre mesmo fala, se você chegar de coração aberto, ele sente o carinho e o respeito. E foi o que aconteceu.
Obrigado ao amigo Edison Coelho Dhunga pela ponte e ao PROGRAMA NA IDENTIDADE DO CAPOEIRA por me proporcionar esse momento.

Cmestre Fly

Se não fosse o samba quem sabe hoje em dia eu seria do bicho
Não deixou a elite me fazer marginal e tambem em seguida me jogar no lixo!
(Carlinhos Russo-Zézinho do Valle)

Incrível a importância social de uma quadra de Samba nos morros do Rio de Janeiro!
Salvo engano de minha parte a da Mangueira tornou-se um polo esportivo fantástico mudando o destino de centenas de crianças!
Enquanto a Quadra de Samba do Vila Rica em Copacabana foi embaixo de minha janela, vi coisas do arco da velha!
Anos depois mudou-se mais para cima e foi ali que o berimbau me chamou e pude conhecer o futuro Mestre Guará

A minha 1ª ida a sua casa foi um choque pois ao saber que sua mãe, dona Maria da Conceição criava 3 filhos sózinha me veio na lembrança minha mãe subindo o morro com um filho e uma sacola de compras em cada braço. Quando o conheci eu tinha idade e conhecimento suficiente para ajuda-la um mínimo que fosse, mas a Lei de Muricy que ja vem embutida em quem nasce no morro, castra e imobiliza.

Nossa amizade se fortaleceu com o tempo, mas a 1ª laçada forte foi uma infeliz aula de matemática dada por este incompetente que não sabia o limite na cobrança do aprendizado de uma criança! Convivemos por pouco tempo porque em 1983 sai do RJ, mas restou estes 2 episódios:
Trabalhei num laboratório em Botafogo e o dono me permitiu fazer o exame de sangue do Guaracy Paulino da Conceição de graça. Desgraça pouca é bobagem, Guaracy que ja fazia curso de faquir por força do destino, ainda tinha que ir ao exame em jejum.
Para piorar eu não tinha o dinheiro da passagem de maneiras que tivemos que ir os quase 5 KM na base do expresso canelinha ou seja: A pé!
Quase matei o menino e após tirarem o sangue, tiram-lhe as forças também!
Sorte minha que a duas quadras dali morava a Capoeirista Sueli e eu fui rezando para a casa dela!
Ela estava viajando mas o marido dela, o famoso desenhista Ivan Watch Rodrigues nos deu um salvador café com pão e ele pode voltar são e salvo para casa. 

E outro aconteceu um 7 dias antes de 11-11-1979 na Feira de São Cristovão enquanto era resgistrado a reportagem para o jornal O Globo:
Nesse dia tu marcou no pé do berimbau e pegou um pé no olho, inchou logo e voce chorou pra burro, ai eu te paguei uma laranjagua, logo tu melhorou.
A anestesia foi na base da laranjada quente!
Ja distante dele 4.000 KM , continuamos nos contactando atraves de cartas, que eu buscava no correio 2 horas de remo distante! 

Foi lá que recebi emocionante desenho que originou esta homenagem!
Na real se Guará ainda não venceu, conseguiu realizar o sonho dourado de todos os capoeiristas: Ir a Mãe Africa!

Leiteiro
Remexi meus guardados e achei este desenho, feito para mim pelo menino Guaracy, em 28 de março de 1984, hoje Mestre de Capoeira Guará, desenvolvendo, ensinando e divulgando esta linda Arte na França.
No caso deste desenho, foram digamos, meia hora de dedicação, pensando na pessoa, se ela gostaria daquela côr ou do tipo de peixe.
Então este desenho, não é só um pedaço de papel colorido, é a soma de tempo e pensamentos, e no minimo um pingo de emoção!

Guará:
Tô emocionado com este email, não lembrava de nada, nada...

Yasmine:
Guará, meu caro, também eu fiquei emocionada...sinais de uma infância remota, perdida na falta de registro. A infância nos diz muitas coisasde nós mesmos...nos faz entender nosso universo particular, nos faz repassa-lo aos nossos filhos...porque senão esta, que outra motivação tem na nossa passagem por esse mundinho vão...a não ser deixar pros nossos herdeiros pequenos sinais de quem fomos.
O resto é tão nefasto, tão perecível,que melhor seria se levássemos conosco pra virar semente de nada! 

Leiteiro:
Yasmine, a Sra é do balacobaco!
Essa sua definição é do baú. É claro que meu lado ateu, não acredita muito naquela de inspiração do Espirito Santo, mas depois de ler suas palavras, minha convicção, balança, baalaançaa....
beijos de Leite!

Dona Yasmine:
Olá Leiteiro! Pois veja você, fui casada com o Guará por quase 5 anos, e durante todo aquele tempo, escutei tanto falar em você e mestre Lua!
A nítida sensação de que a infância dele estava só naquela memória...e onde estavam vocês?
Ele sempre quis reencontrar vocês, e agora isso se realiza...Porque até hoje, muitas vezes tenho a sensação, de que Guará pulou aquela fase da vida...a família, por conta de todas as dificuldades, meio que passou por cima...e na relação com o filho isso fica tão claro...a impressão de que a infância é algo quase supérfluo, tipo cultura nesse nosso país!
Enfim, vendo aquele desenho e tudo o que ele traz de inconsciente, (medos, tristezas e uma infância subestimada) percebo que muito da dureza que hoje, volta e-meia invade as feições desse capoeirista, e esconde o que nunca vai ser esquecido por aquela criança que mora ali dentro... ainda assim, ele supera qualquer expectativa, vai muito além das oportunidades desse país!
É um grande homem, íntegro como poucos! 

Esse reencontro merecia um documentário!
Porque aquele projeto social ali, na Ladeira dos Tabajaras, mudou um futuro presente hoje!
E o efeito borboleta disso tudo...gera um pedacinho de um outro Brasil, que lamentavelmente ficou só no pedacinho, mas poderia ser um Brasil inteiro...não é mesmo???
Um grande abraço!
Yasmine

A sorte lhe bafejou, Guaracy foi para a França, fez-faz um lindo trabalho, tem um maravilhoso site! 

Nem eu, nem Guará poderiamos imaginar a projeção que o futuro nos reservava, através do Pioneiro Lua Rasta!
Digo Pioneiro porque Lua foi o 1º no Rio a trabalhar com os meninos de rua da Cinelândia!
Isso nos trouxe um problema, fomos impedidos de fazer roda de Capoeira na Cinelãndia pela policia que disse que nos armava-mos as rodas para os pivetes roubarem.

Capoeira quem é teu pai?
Sou filha de Bamba
nasci na Africa
cresci no Brasil
sou irmã do Samba! 

Na real se Guará ainda não venceu, conseguiu realizar o sonho dourado de todos os capoeiristas: Ir a Mãe Africa!
Não há duvida que a essência da Rainha Nzinga N'golo aqui no Brasil se hermafroditou, passou a ser Mãe e Pai de muitos, de Estados como Pernambuco, Maranhão e Bahia, que a ensinaram e divulgaram no leste e sul do Brasil, e de muitos Brasileiros que a ensinam e divulgam no Mundo!
Ontem erámos filhos, hoje somos pais e amanhã avôs no ensino desta Arte Maravilhosa, redentora de possíveis e prováveis Restos Humanos!

Site do Mestre Guará na França:
http://www.angola-ecap.org/spip.php?article1- 20&id_rubrique=1

Se não fosse o samba-Bezerra da Silva- letra e video
http://letras.terra.com.br/bezerra-da-silva/11...

Para a MINHA VERDADE só existe uma réplica A MENTIRA! (Leiteiro)

Fonte : OVERMUNDO

 
 

 

A capoeira é minha pedagogia e minha filosofia

Guardo minha escassa paciência para aqueles que realmente precisam de compreensão. Para os demais, minha filosofia é a do capoeira: bobeou, levou! Pois quem não sabe andar, pisa no massapé, escorrega. Quem não sabe jogar, fica miúdo no jogo. Chega devagar. Treine antes de entrar na roda. O mesmo vale em relação a entrar num debate, numa discussão. Tem que se informar antes. Se vocês sabem que têm uma limitação, vocês deveriam ser os mais preocupados e dedicados. Se não sabem, vocês também deveriam ser os mais preocupados. Na roda da malandragem, no meio dos partideiros, quem atravessa o samba, é atravessado. Quem tá sempre pedindo compreensão é porque não está compreendendo nada. Então, apenas pare, observe, sinta. Quem tudo apenas pede é porque pouco merece. Porque quem tá no corre o corre reconhece. Entenda, de antemão, que ninguém tem obrigação de te ensinar nada. Pelo menos, não mais do que você tem de se virar para aprender. Afinal, quem tá no erro é você.

Na pista, ninguém educa segurando pela mão, não. É vivência preta. É pedagogia. É filosofia. Na nossa vida, ou a gente corre na frente, ou fica pra trás. A vida ensina de diversas formas. E, nas mais refinadas, ela impõe um custo a quem é displicente com o conhecimento. Capoeira é fundamento. É ensinamento. Ainda tem gente dizendo que é preciso inserir pedagogia na capoeira, método, etc e tal. A capoeira é o próprio método. A capoeira é a própria pedagogia. É a partir disso que ela se estabelece como filosofia de vida. Capoeira ensina. Mas não é ensinar pegando na mão. Pelo contrário, te ensina te deixando na mão. Te ensina a te virar. Ao mesmo tempo, ela te mostra que o mundo é acessível e que podemos realizar até mesmo o impossível. Te prepara para tudo que vier e pra tudo que você quiser, ao te ensinar que pra tudo tem um jeito. Ou tem que ter. Se vira!

Capoeira é te testar o tempo todo, te apertar de todas as formas e, nisso, extrair o melhor de você. Ela vai te inspirar toda confiança do mundo e depois vai te trair. Só para você aprender a não confiar demais, em hipótese nenhuma. Mais do que a confiança em si, a lição é sobre sobre o perigo da acomodação. Quando tomamos as coisas por certo, tendemos a ser displicentes. E isso a capoeira não tolera. Na capoeira, cochilou, cachimbo cai. Se dormir no ponto, te ganham, amigo. E é apenas essa filosofia, essa pedagogia de te apertar, que explica esse jogo de picardia, de sorriso falso, traiçoeiro. É um apertando o outro, num jogo de malandro onde duas facas vão se amolando. Ou pelo menos era. Porque com essa nova pedagogia nutela, a brincadeira virou só brincadeira mesmo. O meio virou fim. Se ensina pegando na mão. E, quanto mais boias e coletes salva-vidas à sua disposição, mais displicente você será em relação a aprender a nadar. Com toda sinceridade, na capoeira, quem quer ser mimado, tá no lugar errado. Capoeira com outra pedagogia, com outra filosofia, pode ser considerado tudo, menos capoeira. A capoeira não cabe em uma academia, numa forma de levantar a perna ou balançar o corpo. Ela é uma relação com o mundo baseada no “se vira” que o sistema é bruto e só sendo mais bruto que ele para passar por cima de tudo.

É recorrente a comparação desse jogo de gato e rato que é a capoeira com o jogo de xadrez. Na minha concepção, capoeira é xadrez de Exu. É um xadrez de corpos. Uma esgrima corporal a partir de uma corporeidade sustentada na filosofia desse Orixá. Tem tranquinagem, tem música, tem dança, tem certezas sendo desmanchadas em fração de segundos, tem o impossível acontecendo como se fosse a coisa mais normal do mundo, como punição à displicência ou prêmio à insistência, tem a zombaria, têm as gargalhadas, os pontos (enigmáticos) e, principalmente, um corpo vibrante, dinâmico, alegre, vivo! Características inconfundíveis desse Orixá do fogo. Mas as “coincidências” não param por aí. Pense o corpo. O que é ele? Ele é elemento de ligação. Sem ele, nada se realiza. Nada se materializa. Tem que passar por ele. Uma ideia precisa do corpo para se realizar, tal qual sempre se precisa de Exu para que qualquer coisa seja realizada, como bem se pode apreender da mitologia ioruba e dos ensinamentos nas casas de axé. Até para se comunicar com os demais Orixás, não se faz se não se alimenta Exu antes. Há de se alimentar o mensageiro, pois, caso contrário, a mensagem não chega. Tem que cuidar do canal. O corpo também é esse canal que deve ser cuidado para que possamos materializar nossos desejos e o que emana da nossa espiritualidade. As comparações com o corpo vão ao infinito…

Todavia, o infinito não cabe aqui e seria demasiada pretensão querer dar conta dele ou de Exu. Então, vamos no sapatinho. Falemos um pouco da figura mitológica que traz toda uma pedagogia e uma filosofia de vida que fazem parte do fundamento da capoeira. Nas histórias desse Orixá, se percebe que quem o alimenta, recebe. Quem o negligencia, se dá mal. Quem o alimenta e sobe na vida, mas depois se acomoda e se faz displicente, se dá mal duas vezes. Malvado, não? Vingativo, né? Lição! Ensinamento. Existe um ditado que meu pai sempre me falava: dinheiro não leva desaforo pra casa. Qual não foi minha surpresa ao saber que Exu além de simbolizar o fogo, a transformação, a comunicação, o movimento, a troca, dentre muitas coisas, também simboliza o dinheiro? Com dinheiro, o ditado é meio óbvio. Agora troquemos ele por “comunicação e movimento”, por exemplo. Sem se comunicar ou se mover direito, a gente chega a algum lugar? Nós somos a medida do esforço que empregamos nisso, da reverência prestada, da atenção dispensada. É um Orixá que também está sempre arrumando confusão para aqueles que não prestam a devida atenção com ele, né? Já viram como a falta de cuidado com a comunicação ou com o dinheiro ou mesmo com o movimento acabam te colocando em situações para lá de difíceis? Bom, voltemos ao ditado e troquemos “dinheiro” por Exu. É isso. Ele não leva desaforo pra casa. Ao mesmo tempo que, se você sabe cuidar dele, ele cuidará direitinho de você. Com ele, tudo você pode. Troque-o pelos elementos que simboliza e você vai aprender que ele apenas está te ensinando, à sua maneira, pra valer, a ser sagaz com os elementos que vão desenhar sua trajetória de vida.

Ainda, nas histórias, ele vai ensinar o valor do sacrifício, da dedicação. Sem choro nem vela, quem põe metade, recebe metade. Quem põe demais, recebe demais. Mas como tudo que é demais sobra e tudo que sobra atrapalha, vai dar problema também. Mas quem decide isso? Quem nos dá a medida do que é pouco ou muito? É aí que entra o amigo inseparável de Exu: Orunmilá, o guardião do saber — que é fornecido por Exu, que, como guardião dos caminhos e da comunicação, tudo sabe. Orunmilá é como um oráculo. Não adianta se esforçar se o esforço não está sendo bem direcionado, bem empregado. Nas histórias, quem sai sem antes se informar, só vai se atrapalhar e não vai chegar. Quem se informa e não segue as recomendações, será acometido pela mesma má sorte. Não basta saber, tem que fazer. E isso é um grande ensinamento para a vida. Se a gente buscasse se informar antes de sair, antes de falar, antes de tentar, evitaríamos tanta confusão. Para qualquer projeto, uma pesquisa prévia é fundamental. Pesquisar antes de fazer é uma tradução da relação com Orunmilá. Fazer o que a sabedoria recomendou é uma forma de alimentar e venerar Exu. A propósito, a primeira recomendação de Orunmilá é sempre alimentar Exu. Ele mesmo, sábio que é, separa a primeira parte de tudo que recebe para seu amigo e mensageiro, guardião dos caminhos e da comunicação.

Mas aí, metaforicamente falando, tem aqueles que não recorrem a Orunmilá quando querem alguma coisa. Por exemplo, quando entram numa roda de capoeira ou numa discussão. Ou aqueles que até sabem o que deveriam fazer, isto é, “consultaram o ifá”, mas não fizeram o recomendado, não alimentaram Exu. Em resumo, sabem, mas não fazem. Me diz o que tende a acontecer? Vai dar ruim. E a culpa é de quem? De quem foi displicente! É sobre aprender a ser responsável. Daí decorre todo o problema com Exu e com nosso sistema filosófico, mitológico e pedagógico por parte das classes dominantes. É um problema do tamanho da dificuldade dessa sociedade em lidar com suas responsabilidades. A facilidade de se desvencilhar da culpa e da responsabilidade é o grande trunfo para a manutenção do status quo. A displicência tem um custo bem alto e se você nao tá pagando por ela, é porque alguém está pagando por você. O que seria dessa galera se tirássemos dela o poder de alegar desconhecimento e pedir compreensão? Compreensão essa que nunca nos dão. Se impuséssemos um custo á sua cômoda displicência… pense nisso! E o outro lado da moeda é que essa filosofia quando incorporada confere às pessoas um poder incontrolável — como o é o próprio Exu e como costumavam ser os capoeiras. Por isso, são sempre inibidos quando manifestados a partir de corporeidade negra.

Esse é aquele momento em que deixo as pessoas perceberem que o fato de eu gostar de jogar capoeira de vermelho e preto vai muito além do fato de eu ser torcedor do Flamengo. É porque eu acho que tem tudo a ver — capoeira e Exu. Pra mim, é fundamento. É referência. Tem música. Tem alegria. Tem picardia. Tem zoeira. Tem o impossível. Tem o improviso. Tem, principalmente, o custo da displicência. Tem que ter sabedoria. Tem que saber os atalhos. Tem que conhecer os caminhos. Tem tudo que já citei, repeti e muito mais. É cria da rua e dona da rua. É a própria rua. Cada movimento é uma chamada. E cada chamada é uma encruzilhada. Ali é assim, o jogo é animado mas quem vacilar acaba deitado. E quem é o culpado? Respondo com uma frase clássica dos capoeiras: errado é quem leva. Sempre! É pedagogia. É filosofia. Por isso, cantamos:

“Olha, bem miudinho. Cuidado! Esse jogo de angola é mandingado.
Esse jogo de angola é mandingado e errar nesse jogo é complicado”

P.S.: E vou dizer que não acho, em hipótese alguma, que o vermelho e preto do Flamengo seja mera coincidência. Até porque elas iriam bem além das cores. Torcida vibrante, adora uma farra, mais próxima do povo… Um time que adora aprontar umas com a gente. Sempre que achamos que está perdido, ele vai lá e mostra que “isso aqui é Flamengo, porra!!”. Como aquele memorável Flamengo e Santos. E sempre que achamos que está ganho, ele nos mostra que é Exu no comando e toda displicência será punida e motivo de zoeira. Ah Cabañas… Por fim, aquele gol que Deivid perdeu é a cara de uma punição exemplar à displicência na pedagogia de Exu, te coloca naquela encruzilhada em que você não sabe se ri ou se chora…  

Maicol William

Espaço de divulgação para os textos e reflexões do Kilombo Òkòtó

A roda de capoeira foi declarada no dia 26 de novembro de 2014 em Paris como Patrimônio cultural Imaterial da Humanidade pela UNESCO – Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura. Esse título de reconhecimento é muito importante para a cultura afro-brasileira.

Comemorando esse reconhecimento o Sr. Roberto Chaves, fundador do “Lavagem da Madeleine”, realizou no dia 06 de setembro de 2017, no anexo da sede da UNESCO em Paris, a entrega de certificados aos Mestres de Capoeira e dos dossiês do REGISTRO da Capoeira como Patrimônio Imaterial do Brasil.

O evento foi muito emocionante tendo relatos e agradecimentos pessoais dos capoeiristas. Entrega dos certificados de reconhecimentos pelo trabalho dos capoeiristas foi feita pela embaixadora do Brasil na França a exma. Sra. Maria Edileuza Fontenele Reis.

Vídeos no YouTube (sem edição): 

https://www.youtube.com/watch?v=Q8WpyTO75XY&list=PLmY1Bp-_fXhD7I7OWhTlkVa0AKKFY4SPC

Fotos e texto: Louisa Monteiro

Eventos Brasileiros na Europa